quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Número Zero

A ideia totalmente equivocada de que a democracia e o capitalismo radical compactuam não apenas entre si, mas também com a modernidade, o progresso e a reforma, dominou a mente de muitos brasileiros. Aproximadamente 57 milhões de brasileiros entregaram o nosso destino nas mãos de políticos que alardeiam exatamente esses valores enquanto outros, mais tradicionais, são esquecidos ou tidos como insignificantes.
Assim, vemos dia após dia, declarações aterrorizantes ou apenas de total demonstração de desconhecimento de uma realidade simples e que em grande parte define o caráter do povo brasileiro.
Outras declarações demonstram apenas o nonsense e beiram o absurdo. Frases como a que foi dita pelo Onix Lorenzoni que comparou o risco corrido pelas crianças cujos pais ou responsáveis são possuidores de armas de fogo que permanecem guardadas em casa, ao risco de acidente doméstico causado pelo uso inadequado de um liquidificador.
Assim, ao cabo de apenas uma quinzena do novo governo já temos um glossário de palavras e frases usadas totalmente fora do contexto, mas que pela certeza com que eles as pronunciam parecem verdadeiras.
Verdades que fariam corar o próprio Umberto Eco que já previa situação semelhante no seu ultimo livro escrito, Numero Zero. Nesse livro, um grupo de jornalistas e outros profissionais liberais, recrutado de vários lugares e pagos com um ótimo salário tem uma única missão: escrever um jornal que nunca será publicado.
Espero no entanto que a estada desse novo sistema de governo seja bastante documentada para que possamos analisar a propriedade dessa mudança que se prenuncia brusca na economia e nos costumes sociais.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Matéria divulgada no site do PV e que merece nossa atenção


Posted: 21 Dec 2018 08:30 AM PST
O advogado Ricardo Salles (Novo), futuro ministro do Meio Ambiente no governo Jair Bolsonaro (PSL), foi condenado em primeira instância por improbidade administrativa nessa quarta-feira (19). O juiz Fausto José Martins Seabra, da 3ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, entendeu que Ricardo favoreceu empresas de mineração em 2016, quando era secretário estadual do Meio Ambiente de Geraldo Alckmin (PSDB). Cabe recurso contra a decisão.
Seabra determinou a suspensão dos direitos políticos do futuro ministro por três anos, pagamento de multa e proibição de contratar com o poder público. As irregularidades ocorreram, de acordo com o magistrado, quando o então secretário acolheu mudanças feitas nos mapas de zoneamento do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Tietê.
Segundo o juiz, a medida não causou prejuízo efetivo ao meio ambiente porque o plano alterado por Ricardo não foi aprovado, também não houve lesão ao erário nem enriquecimento ilícito. A indicação do advogado para o ministério gerou manifestações negativas de ambientalistas, que o consideram muito afinado com o setor produtivo e pouco identificado com as causas ambientais.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

LIVRE MERCADO

Estamos quase todos os brasileiros muito contentes, pois agora vamos entrar na era do liberalismo econômico. Se aqui não está bom, pior não dá para ficar. Será que não?

De acordo com o pensamento de Friedman, que foi professor da escola de economia de Chicago, alguns pressupostos seriam necessários para implantação do liberalismo econômico. (Klein, Naomi. A doutrina do choque. Ascenção do capitalismo de desastre)

Somente vejamos, e se houver alguma semelhança com o que vai acontecer no Brasil, será apenas coincidência. Essa é apenas uma estória sem nenhum reflexo no mundo real.

Em primeiro lugar, os governos deveriam abolir todas as regulamentações. Que história é essa de agências reguladoras, tipo ANEEL, ANA, ANP... e tantas outras que foram criadas em passado recente e só servem de cabide de emprego?

Em segundo, deveriam vender todos os ativos rentáveis, tipo PETROBRAS, ELETROBRAS, CORREIOS, BANCO DO BRASIL, CAIXA ECONÔMICA, BRB, CEB, CAESB, e tantos outros como EMATER, dos quais muitas vezes não sabemos nem o nome e nem para que servem. O problema é que esses dos quais não sabemos o nome muitas vezes não são rentáveis então não encontraremos comprador.

Em terceiro, precisariam ser cortados dramaticamente os fundos destinados aos programas sociais. Para que isso? Só para impedir a atuação da mão invisível de Adam Smith?

Ou seja, existe uma fórmula e a equação que compõe essa fórmula contém as seguintes variáveis: desregulamentação, privatização e cortes.

Alguém acha que essa fórmula daria certo para o Brasil?