sexta-feira, 11 de setembro de 2009

MUITO ALÉM DO SALÁRIO

No dia 08 de setembro de 2009, o jornal Correio Braziliense publicou uma reportagem sobre organizações que colocam valores maiores que o salário como motivadores do seu pessoal.
Uma delas é uma ONG formada por médicos e jornalistas, denominada Médicos sem Fronteiras, fundada na França e com atuação no mundo inteiro. A realização pessoal dos seus integrantes e o desejo de ajudar a humaninade falam mais alto que o retorno monetário, para seus integrantes.
A outra é uma empresa que inspirou a Google na sua política de pessoal. Desenvolveu os "fatores higiênicos" de Hezberg, tais como a formação de times de beisebol, golfe e outros, colocando o relacionamento e o bem estar físico e social em patamares elevados, para que seus funcionários se sintam felizes e livres para criar. Isto, após ter escalado a pirâmide de Maslow, que tem na sua base a segurança econômica e no seu ápice a auto-estima e a realização pessoal.

Ao lado dessas organizações é colocada a ECT - Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, respeitada pela sua eficiência e pelo comprometimento dos seus empregados, mas bem diferente das duas outras organizações. Parodiando a música da novela Caminho das Índias, gostaria de pertuntar: O que a ECT está fazendo aí? Confesso que não entendi.
Essa indagação se deve ao fato de conhecer as características da ECT, empresa pública geradora de lucros e que tem crescido bastante ultimamente, sobretudo depois do advento da internet e ampliação do e-commerce e das transações bancárias, que geram distribuição de extratos, boletos, cartões de crédito e outros documentos.
Ora, se esse lucro não é repassado para os seus mais de cem mil colaboradores, verifica-se o fenômeno da "mais valia", ou do enriquecimento dos detentores do capital em detrimento dos trabalhadores. E se esse lucro não estiver crescendo, verifica-se uma má gestão de recursos. Eu não acredito que aconteça nenhuma das hipóteses elencadas.
Ademais, é sabido que a empresa é intensiva de mão de obra, por suas características, uma vez que existem trabalhos para os quais ainda não foram inventadas máquinas, como é o caso do trabalho dos carteiros.
Sendo assim, a ECT não pode ser amealhada a uma ONG, uma vez que seus trabalhadores não fazem do ideal de servir à ECT seu objetivo de vida.
Eles, os trabalhadores da empresa, são milhares de pessoas que têm família para sustentar e a empresa é a fonte primária de satisfação de suas necessidades essenciais.
Também não poderia ser comparada a uma empresa que está no topo das políticas de gestão de recursos humanos, onde os empregados já escalaram os andares inferiores da pirâmide de Maslow, ou seja, já têm as suas necessidades fisiológicas e de segurança satisfeitas, e se encontram nos andares superiores onde a busca pela realização pessoal e satisfação da auto-estima são os mais importantes. É bom esclarecer que esses últimos fatores só podem ser buscados no momento em que os primeiros já estão satisfeitos, o que suponho não ser o caso dos trabalhadores da ECT.
Há portanto, no meu entender, uma distorção na colocação da ECT ao lado das duas organizações citadas na reportagem. Esse é o meu pensamento.

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