quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

ASSIM É SE LHE PARECE...

Volto a Salvador, uma cidade em que morei por vários anos e considerava um reduto de tranquilidade, de poesia e de criatividade. Onde o tempo transcorria mais devagar e onde a gente entendia perfeitamente que o tempo é função da sociedade. Aqui tudo era mais lento e mais bonito, tinha-se tempo para apreciar a natureza, para conversar, para amar.
O baiano pegava leve, pintava, bordava, tocava, bebia a sua cervejinha com toda a calma e felicidade do mundo.
Quando se chegava à cidade, sentiamos que haviamos deixado para trás todo o peso do mundo, entravamos em outra dimensão e íamos "passar uma tarde em Itapoã".
Dessa vez porém deparei-me com uma cidade totalmente diferente. Superlotada de carros, já enfrentei engarrafamento na vinda do aeroporto para o hotel. E o rapaz que foi me receber no aeroporto só falava que a cidade havia crescido bastante. Crescido ou inchado? E os shoppings? Dê-lhe shopping. Shopping da Paralela, Shoping Salvador, são os mais novos e mais badalados. O Iguatemi já era. Mais onde está havendo alguma vernissage de um pintor baiano? Isso de se falar em cultura deixou de ser interessante.
Os hotéis cheios de turistas, ávidos por consumo e saindo a rua em grupos e em ônibus especiais,pois os ladrões também estão ávidos por dinheiro. E o ACM não está mais aqui para devolver dinheiro de turista que foi roubado. Se uma cidade, como uma "polis" é uma reunião de pessoas, acabou-se a cidade de Salvador. Ficaram apenas os saqueadores. E ela vive agora apenas na memória de algumas pessoas que apreciavam ir à praia dos Corsários, sentar em uma barraca e comer carne de sol acompanhada de cerveja, gostavam de assistir a filmes de arte no Teatro Maria Betânia e na Biblioteca Central dos Barris, apreciavam lanchar na Perini da Pituba e assistir a shows no Teatro Castro Alves e ouvir música clássica nas segundas musicais no prédio da Reitoria da UFBA.
Visitei Salvador e me lembrei da cidade de Pompéia.

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