segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

MANTER A CHAMA

M:: Elisabeth Cavalcante ::

Esta semana quero compartilhar com vocês uma história bastante interessante que recebi pela internet. Embora não saiba a origem do texto, ela me encantou pela maneira simples com que evidencia o quanto, na maior parte do tempo, abandonamos o que deveria ser o foco principal de nossa atenção: manter acesa a chama de nossa luz interior.

Quando os problemas e desafios da vida material se tornam excessivos, nós rapidamente perdemos a capacidade de permanecer centrados e permanentemente alertas quanto ao maior valor que precisamos cultivar, que é a essência divina com a qual todos nascemos, e que permanece inalterada em qualquer circunstância.

Diante dela, tudo o mais deixa de ter importância, mas infelizmente a maioria de nós só adquire esta consciência em momentos cruciais, quando nossa própria vida se encontra ameaçada.

Proponho, então, que comecemos este novo ano, dispostos a não perder de vista a realidade de que a essência da vida é a impermanência, e que ela pode cessar a qualquer instante, sem qualquer aviso. Portanto, manter-nos focados no que de fato importa e não deixar para depois tudo o que for verdadeiramente valioso para nossa alma, é a decisão mais sábia que podemos tomar.

Ainda que possamos traçar metas e objetivos materiais a serem alcançados, o mais importante é saber que nenhuma delas jamais preencherá as reais necessidades de nosso ser. Este necessita apenas de sua própria luz e a nós cabe reconhecê-la e deixar que ela predomine sobre tudo o mais.

"Havia um rei que, apesar de ser muito rico, tinha a fama de ser um grande doador, desapegado de sua riqueza. De uma forma bastante estranha, quanto mais ele doava ao seu povo, mais os cofres do seu fabuloso palácio se enchiam.

Um dia, um sábio que estava passando por muitas dificuldades, procurou o rei.
Ele queria descobrir qual era o segredo daquele monarca.
Como sábio, ele pensava e não conseguia entender como é que o rei, que não estudava as sagradas escrituras, nem levava uma vida de penitência e renúncia, ao contrário, vivia rodeado de luxo e riquezas, podia não se contaminar com tantas coisas materiais.

Afinal, como sábio ele havia renunciado a todos os bens da terra, vivia meditando e estudando e, contudo se reconhecia com muitas dificuldades na alma.
Sentia-se em tormenta.
E o rei era virtuoso e amado por todos.

Ao chegar em frente ao rei, perguntou-lhe qual era o segredo de viver daquela forma, e ele lhe respondeu:
"Acenda uma lamparina e passe por todas as dependências do palácio e você descobrirá qual é o meu segredo".
Porém, há uma condição:
Se você deixar que a chama da lamparina se apague, cairá morto no mesmo instante.

O sábio pegou uma lamparina, acendeu e começou a visitar todas as salas do palácio.
Duas horas depois voltou à presença do rei, que lhe perguntou:
"Você conseguiu ver todas as minhas riquezas"?

O sábio, que ainda estava tremendo da experiência porque temia perder a vida, se a chama apagasse, respondeu:
"Majestade, eu não vi absolutamente nada.
Estava tão preocupado em manter acesa a chama da lamparina que só fui passando pelas salas, e não notei nada."

Com o olhar cheio de misericórdia, o rei contou o seu segredo:
"Pois é assim que eu vivo.
Tenho toda minha atenção voltada para manter acesa a chama da minha alma e, embora tenha tantas riquezas, elas não me afetam".
"Tenho a consciência de que sou eu que preciso iluminar meu mundo com minha presença e não o contrário".

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