quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O FILHO DA MÃE - GUILHERME FIUZA - POLÍTICA E TUDO MAIS

Fonte: Época

Qua, 06/01/10por gmfiuza |categoria Geral


Venezuela e Argentina chegaram lá. Terminaram 2009 entre as maiores inflações do planeta. O Brasil não quer ficar para trás, e vem com o Plano Dilma 2010.

Como se sabe, até hoje boa parte do PT e da esquerda não engolem as concessões econômicas de Lula. Apóiam o filho do Brasil porque ele é o poder – hoje, muito poder – e a companheirada, como também se sabe, só pensa naquilo.

Mas nenhum petista que se preze se conforma, por exemplo, com a falta de um bom cabide no Banco Central. O partido não entende que o órgão mais poderoso do governo funcione sozinho, sem que Lula possa acordar invocado e botar uns aloprados na diretoria, para mexer à vontade no câmbio, nos juros, nas metas de inflação e superávit – essas catedrais neoliberais.

O Plano Dilma vai dar jeito nisso. Vem aí para pôr fim à inveja da Argentina e da Venezuela, que não têm entraves para enterrar dinheiro público na orgia populista. Top Garcia já está no comando da campanha.

É claro que o debate eleitoral vai passar ao largo disso. Na corrida presidencial, se discutirá basicamente o quanto Fernando Henrique era mau, o quanto Lula é bonzinho, e o quanto uma mulher, mãe, filha (e demais clichês de bondade) fará o governo ainda mais sensível e amigo do povo.

O filme está pronto. Não esse que estreou no cinema, com Lula feliz para sempre. O filme do Plano Dilma tem final diferente. Não olhem para Argentina e Venezuela, se não quiserem estragar a surpresa.

As aventuras da grande gestora prometem muitas emoções. Certa vez, numa visita com Lula ao Timor Leste, em 2008, a ministra da Casa Civil conversou com o primeiro-ministro Xanana Gusmão. Reiterou-lhe a disposição do Brasil de cooperar com a reconstrução do país amigo. E ofereceu financiamento para a construção de hidrelétricas por todo o Timor, aproveitando o know-how brasileiro.

Poucos meses depois, um pesquisador paulista (que prefere não ser citado) foi recebido por Xanana Gusmão. A autoridade timorense foi logo comentando o exotismo de Dilma Rousseff. Considerando que seu país é uma ilhota montanhosa, ainda não tinha conseguido entender onde a ministra brasileira pretendia instalar os lagos das hidrelétricas.

A grande gestora vem aí. Apertem os cintos.

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