quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

SOBRE AS ENCHENTES NO RIO DE JANEIRO E EM SÃO PAULO

Segundo Hermitte (2005), [...] todas as sociedades temem a morte, a doença, os incêndios, as inundações, a fome, os temporais e a guerra; todas as sociedades conhecem os riscos que as ameaçam; todas as sociedades procuram evitar danos.
A forma mais simples de exemplificar tais afirmações é histórica: trata-se, no século XVII, da evolução da luta contra os incêndios nas grandes metrópoles européias. De fato, nessa época, as cidades herdadas da Idade Média eram apertadas, os telhados quase que contíguos, a madeira onipresente na construção, a água rara ou de difícil uso por falta de canalização e pressão, o que impedia seu acesso aos andares; a presença dos cavalos na cidade implicava enormes quantidades de palha. Tudo isso era um excelente ambiente para a deflagração de incêndios. No entanto quando estes aconteciam punha-se a responsabilidade em Deus, rezava-se e destruía-se metade das casas para que ele não se propagasse. Não havia um estudo sistêmico ex-ante, sobre os riscos e uma análise para se verificar que nível de risco seria aceitável, o que se pretendia proteger, o que aceitar e o que realmente se poderia fazer para encarar esse desafio.
Não havia, portanto, políticas de segurança que pudessem ser resultado de um planejamento e uma visão de futuro, sendo sempre pegos como se fora a primeira vez, e agindo casuisticamente, como soe acontecer nessas oportunidades.
Conseqüentemente, não havia nenhuma incitação para que os costumes ou as construções mudassem: lutava-se derrubando casas de forma a cortar o avanço das chamas, faziam-se procissões, padre na frente, para pedir que Deus mandasse a chuva; uma vez o incêndio apagado, o padre organizava a caridade para socorrer os mais necessitados. Foi somente no final do século XVII que, com o pensamento cientifico começando a aparecer, descobriram-se as causas dos incêndios. Então, tornou-se pertinente impor normas de construção e urbanismo, estabelecer pontos de água com intervalos regulares; inventaram-se bombas de pressão, organizaram-se vigias, racionalizaram-se os armazéns de palha, criou-se um corpo de bombeiros e, não se trata apenas de um acaso, no mesmo momento a caridade deixou o lugar para o seguro. Quem aceitou a causalidade racional pôde entrar na era da prevenção, do direito e da responsabilidade.
Os desenvolvimentos da prevenção, da responsabilidade e dos seguros são sinais fortes de uma modernidade fundada sobre uma análise científica das causas dos danos.
Na época atual, na maior parte dos países e sistemas organizados, é dada ênfase à formulação, formalização e aplicação de políticas de segurança. Mesmo assim, um dia de chuvas torrenciais, no Estado do Rio de Janeiro, consegue fazer mais de cem vítimas em um único município. Assim como a cidade do Rio de Janeiro (ou Niterói), também a cidade de São Paulo teve recentemente um período extremo de chuvas, o qual gerou perdas humanas e materiais de grande monta. Os rios paulistanos transbordaram várias vezes e pessoas passaram semanas com suas casas debaixo da água.
No Rio, ao longo de décadas, casas de pessoas pobres têm sido instaladas em locais sem segurança. Em São Paulo, a ocupação de áreas de várzea, a impermeabilização do solo e o assoreamento dos rios urbanos tem transformado cada verão chuvoso em uma catástrofe urbana anunciada e repetida.
Dentro dos ambientes organizacionais, como grandes corporações, ou pequenas empresas, é possível criar um modelo, em que se isolam determinadas variáveis e trabalhar-se com elas, criando uma cultura própria e realizando um trabalho eficaz de planejamento, mas convém lembrar que nenhum organismo é fechado e que atuamos dentro de um cenário amplo que contempla as outras organizações, os clientes, os fornecedores, os concorrentes, o Governo, a população e assim por diante. Se quisermos analisar apenas os aspetos internos de uma organização, como se tirássemos o telhado de uma casa para observar o seu interior, isto será diferente de olhar a casa e seus habitantes em relação ao mundo que a rodeia.
Não podemos mais pensar os governos ou organizações como se fossem locais e sim ver todas as suas implicações com o ambiente. A análise tem que ser sistêmica, e o macro-sistema é o mundo.
Os sistemas de informação, em vez de tentar impor um modelo estático e limitante, devem ser projetados e construídos de modo aberto e flexível, respeitando as particularidades de cada domínio e provendo o compartilhamento de significados e de experiências _ enfim, de conhecimento.
Deste modo, humanizam-se os sistemas, além de expandirem-se as fronteiras da organização, uma vez que por meio da comunicação realiza-se a troca de comportamentos (ações e percepções do mundo) entre os indivíduos, entre estes e as organizações e, por fim, entre as organizações vistas como sistemas (MERALLI, 2002).
(Ana Rosa Carvalho de Abreu. Trecho de monografia apresentada à Universidade de Brasília, como requisito para obtenção do título de Especialista em Segurança da Informação e Comunicações, em 2010)

2 comentários:

TEMPOS DE DEUS disse...

Olá amiga, tudo bom. Gostei muito de suas matérias, só fiquei triste por não encontrar aqui os seguidores, para retribuir a sua gentileza de estar no meu blog.
Forte abraço!
Dilson

Marise Jalowitzki disse...

Querida Ana Rosa!
Continuamos juntas nesta empreitada! Como alguns milhares de brasileiros. Infelizmente, ainda poucos, para o tamanho do que está à espera e que carece de urgência urgentíssima!

É hora de cobrar mais! Divulgar mais. Comentar mais! esclarecer mais!

Chega de 'destroçar as casas para conter incêndios", como bem o trazes em teu excelente artigo, onde destaco:

"Os desenvolvimentos da prevenção, da responsabilidade e dos seguros são sinais fortes de uma modernidade fundada sobre uma análise científica das causas dos danos.
Os desenvolvimentos da prevenção, da responsabilidade e dos seguros são sinais fortes de uma modernidade fundada sobre uma análise científica das causas dos danos."

Parabéns e abraços, Ana!