quarta-feira, 6 de abril de 2011

Ambientalistas e movimentos sociais marcham contra agrotóxicos

Mobilização torna pública posição de agricultores familiares e trabalhadores
rurais contra proposta ruralista para alterar Código Florestal. Também marca
aliança entre movimentos do campo e da cidade e ambientalistas em defesa do
meio ambiente

Na próxima quinta-feira (7/4), Dia Mundial da Saúde, movimentos sociais e
organizações ambientalistas realizam uma marcha em Brasília para lançar a
Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida e protestar contra o
projeto do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) de alteração do Código Florestal,
que é apoiado pelos ruralistas. A mobilização também defende a Reforma
Agrária.

A marcha sairá do pavilhão de exposições do Parque da Cidade, às 7h. A
previsão é que chegue às 9h à frente do Congresso Nacional, onde ocorrerá um
ato público.

A manifestação reúne entidades como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na
Agricultura Familiar (Fetraf), Movimento de Pequenos Agricultores (MPA),
Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Instituto Socioambiental (ISA),
Greenpeace, SOS Mata Atlântica, Instituto de Estudos Socioeconômicos
(INESC), entre outros.

A mobilização torna pública a posição de trabalhadores e trabalhadoras
rurais, agricultores e agriculturas familiares contra as propostas
ruralistas de alteração do Código Florestal. Marca ainda a formação de um
grande arco de alianças entre movimentos sociais do campo e da cidade e
organizações ambientalistas em favor de uma agricultura que conviva de forma
responsável com o meio ambiente.

A marcha de quinta-feira contrapõe-se à manifestação que está sendo
promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), hoje
em Brasília, em defesa do projeto de Aldo Rebelo. A entidade, que é a
principal representante dos ruralistas, vem insistindo que o conjunto da
agricultura familiar apoiaria o projeto, o que não é verdade.

Também na quinta, às 9h30, a Comissão de Seguridade Social e Família da
Câmara dos Deputados promove uma audiência pública sobre agrotóxicos e saúde dos trabalhadores. O evento ocorre no plenário 7 do Anexo
II. Foram convidados representantes da Via Campesina e da Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Campanha contra agrotóxicos

A Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida reúne movimentos
sociais, entidades estudantis e sindicatos em defesa do direito à
alimentação saudável para todos, da saúde e qualidade de vida do trabalhador
e de um meio ambiente equilibrado. A ideia é alertar a sociedade para o uso
indiscriminado de defensivos agrícolas. O Brasil é o maior consumidor
mundial dessas substâncias: cerca de 1 bilhão de litros foram utilizados no
País em 2009 – uma média de 5 litros por pessoa.

A campanha defende um novo modelo agrícola que valorize a agricultura
familiar e viabilize o desmatamento zero; permita o acesso a tecnologias que
utilizem menos agrotóxicos, como os sistemas agroecológicos; gere renda e
trabalho para a população rural. Para isso, a Reforma Agrária é política
fundamental.

Todos os anos multiplicam-se casos de contaminação no campo por agrotóxicos.
Pesquisas vêm apontando as graves consequências dessa contaminação para o
meio ambiente e a saúde humana. Ela pode causar problemas como câncer,
distúrbios hormonais e neurológicos, má formação do feto, depressão, doenças
de pele, diarréia, vômitos, desmaio, dor de cabeça, contaminação do leite
materno, entre outros.

Serviço

Evento: Marcha contra os agrotóxicos, em defesa do Código Florestal e da
reforma agrária
Data: Quinta-feira, 7 de abril
Local: A marcha sairá do Parque da Cidade, percorrendo a Esplanada dos
Ministérios até chegar ao Congresso Nacional – Brasília (DF)
Horário: A partir das 7h

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