terça-feira, 19 de junho de 2012

O QUE É UM SISTEMA?



Por muitos séculos os cientistas acreditaram que a melhor maneira de aprender sobre alguma coisa seria separá-la para análise. Foi o que Descartes ensinou no Discurso do Método.  Esta visão já foi bem sucedida, particularmente na biologia, química e física.
Contudo, um dos resultados dessa atitude foi a divisão das ciências em muitas especialidades diferentes. Dessa forma, “experts” em cada assunto desenvolveram suas próprias teorias e sua própria linguagem. Eventualmente, isto significava que cientistas de diferentes campos não se entendiam e muito menos os leigos não podiam entender tantas linguagens esdrúxulas.
Em 1920, um grupo de pesquisadores começou a estudar modelos e procurar entender a forma em que todos os diferentes tipos de sistemas eram organizados. E, fizeram uma descoberta. Não importa quão diferente seja o sistema, seus componentes eram todos organizados segundo uma mesma lei, uma regra geral de organização dos sistemas. Pela primeira vez havia um modo de colocar juntos todos os campos de conhecimento e mostrar o que eles tinham em comum.
Este novo campo, que é conhecido como “teoria geral de sistemas”, começou a ter um poderoso impacto quase imediatamente tanto nas ciências, como na vida das pessoas que não faziam ideia do que ele era.
Entre outras coisas, este campo possibilitou o desenvolvimento de computadores sofisticado e da automação e sua aplicação prática, servindo como uma ferramenta essencial para o gerenciamento de todos os tipos de negócios e instituições.
Podemos então, conceituar sistema como um “conjunto de partes que interagem com outras, para funcionar como um todo”.
Um bom gerente de loja olha cuidadosamente para seu estoque e sabe o momento que tem que reabastecê-lo. Se algum de seus empregados vende mais lentamente que o esperado, ele reduz ou cancela pedidos de suprimento de estoque. Se o seu produto não é popular ele tem que reduzir o preço para conseguir compradores. Algumas vezes ele terá mesmo que vender o seu produto por menos do que pagou por ele.
De outro modo, se algum produto demonstra ser mais popular que o esperado, ele tem que fazer pedidos adicionais de suprimento para o estoque rapidamente.
O mesmo acontece com as organizações sociais. Por exemplo, muitos tipos de grupos sociais precisam de um mínimo de membros de maneira a poder atender suas funções. A igreja precisa de uma congregação para pagar o salário do pastor. Um time de futebol precisa de um número mínimo de 11 jogadores. E assim por diante. Alguns grupos sociais precisam recrutar novos membros para repor seu quantitativo mínimo, quando alguns deles morrem, mudam-se para outra localidade, encontram outros interesses ou simplesmente abandonam  o grupo. Se as pessoas que ingressam no grupo são suficientes para repor o quorum mínimo, então não há problemas. Mas, se o número de pessoas que querem deixar o grupo supera o daquelas que querem aderir ao grupo, então é o caso de se preocupar.
Isto tudo, essas relações são chamadas de laços de feedback que podem ser negativos ou positivos e podem direcionar a atuação do dirigente.
Os sistemas são vivos, eles não param, está sempre acontecendo alguma coisa, dentro ou fora dele que faz com que ele reaja. É função de o estudioso zelar pela continuidade do sistema e ficar de olho nos feedbacks que recebe.
Fonte: Draper L. Kauffman, Jr.
Systems One: An Introduction to Systems Thinking
The Future Systems Series. 

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