sexta-feira, 12 de abril de 2013

HISTÓRIAS DE ROBÔS

Esse trecho que transcrevo aqui foi escrito por Harl Vincent, pseudônimo literário de Harold Vincent Schoepflin (1893-1968. A estória de "Rex" foi publicada em 1934 e transcrevo apenas uma parte que considero bastante atual.

"A jogatina da classe ociosa, a despesa desenfreada na obtenção de bens de consumo pelos elementos mais privilegiados, os grandes roubos de que eram vítimas, sobretudo por parte dos cognominados políticos subornáveis, havia reduzido muito o seu poder aquisitivo. Os pensadores, os únicos que se dedicavam a ocupações que poderiam proporcionar algum benefício, deixaram que a riqueza deslizasse por entre dedos descuidados. A classe que ocupava o poder, os instrumentos individuais do governo, foi adquirindo a maior parcela da fortuna, à medida que uma legislação arbitrária e discricionária aumentava as restrições sobre a massa da população. Rex (um robô) não conseguia ver nenhuma lógica em nada disso".

A Constituição Brasileira, no seu artigo 17 dispõe sobre os Partidos Políticos e sua atuação no Brasil. Reza sobre um Fundo Partidário e delega ao legislador a forma da distribuição desse fundo entre os partidos.

No momento em que todos os partidos, que seriam a princípio criados para eleger representantes do povo em um Democracia Representativa, se mantêm afinados em um mesmo diapasão, o fundo seria disponibilizado para eles, mas assim que um determinado grupo de pessoas percebeu que estava sendo manipulado e que os deputados, que deveriam a princípios pugnar pelos interesses da população, estavam defendendo os seus próprios interesses, e que, se era assim, o povo poderia prescindir deles e lutar pelas suas próprias causas, apenas criando uma rede para se fazer ouvir perante os poderes existentes,nesse momento, o medo surge e os deputados resolvem fechar a porta que permita a criação dessa legenda.

Isso foi o que o povo brasileiro teve a oportunidade de ver em uma sessão da Câmara Federal no dia 10 próximo passado.

O PL de autoria do Deputado do PMDB de São Paulo, Edinho Araújo, não permite que partidos criados a partir da publicação da Lei em questão, recebam a parte que lhes caberia por direito do Fundo Partidário. Portanto não teriam como se manter. Fecha-se a porta a novos partido. E nesse momento é exposta a chaga a todos os brasileiros, vemos deputados como Benedita da Silva, Garotinho, Espiridião Amim e outros a juntos, fazerem força para fechar a porta, a socos e palavrões. Roberto Freire, de uma inteligência afiada, questiona a posição deles.

E verificamos que o conto escrito em 1934, ainda está valendo no Brasil.

2 comentários:

Amilcar Faria disse...

"O mel educa mais que o fel!"

O tom de agradecimento da #rede para com os que não votaram em seu prejuízo tem muito mais poder que o tom de desagravo com uma possível votação em que ela possa ser prejudicada.

Desse entendimento parte a sugestão de uma nota pública de agradecimento, enaltecendo a postura democrática e valorosa dos Deputados que votaram contra a proposta de urgência do Projeto de Lei que acabaria com o repasse do Fundo Partidário e o tempo de TV para os novos partidos.

Tal nota deveria ser divulgada amplamente e enviada a todos os parlamentares (Deputados e Senadores) em seus emails institucionais.

E seria esse o teor da nota:

"Nós, os muitos nós da #rede, vimos em nota pública elogiar e agradecer a iniciativa dos parlamentares que votaram contra o pedido de urgência da Projeto de Lei de autoria do deputado Edinho Araújo (PMDB-SP), proposto na Câmara dos Deputados no dia 11/04/2013, a se aproveitar do menor número de deputados comum em uma quinta-feira, e que tenta acabar com o repasse do Fundo Partidário e o tempo de TV para os novos partidos que venham a ser criados.

Aos valorosos representantes do povo, que dignificam essa representação com atitudes em favor de uma maior e mais eclética representatividade popular, sem temer novas participações, novas idéias e nova política, ao contrário dos que vendem a si e à vocação política ao fisiologismo que tenta impedir que o povo se faça representar, o nosso reconhecimento e agradecimento.

O BRasil precisa de políticos mais vocacionados ao bem da coletividade e não aos próprios interesses, muita vez escusos e inconfessáveis à própria consciência de quem os pratica!

Os Nós, da #rede, defendemos essa bandeira."

O efeito didático de tal nota remetida a cada um (e divulgada dessa forma) será grande: os que votaram contra serntir-se-ão enaltecidos, os que votaram a favor sentir-se-ão vexados!

E a agonia da velha política, no suspiro do afogado, tentará arrastar qualquer que se lhe aproxime, cedendo ao instinto primaz da tentativa de sobreviver.

Amilcar Faria

Ana Rosa Carvalho de Abreu disse...

Concordo com você.
Ainda precisamos elogiar aqueles que tomam decisões éticas e não tem medo de declará-las em público.
Obrigada por comentar.