terça-feira, 25 de junho de 2013

Ampliando a visão

Estamos vivendo um período de turbulência na história do Brasil, como nunca vivenciamos. A força das redes sociais é um fenômeno novo existente no mundo e protagoniza esse despertar da consciência dos brasileiros, que existe há muito tempo mas não tinha como se manifestar, se expressar.

Muitas pessoas lembram-se das lutas dos estudantes em 1968, contra a Ditadura Militar instituida no Brasil. Muitos lembram-se das Diretas Já, do senador Ulisses Guimarães, do senador Tancredo Neves, do impeachment do Presidente Collor, que levou muitos jovens à rua e teve uma das suas mais bonitas cenas, quando eles se colocaram sob uma enorme bandeira do Brasil.

Na época da Ditadura Militar as comunicações eram precárias e além disso a imprensa era proibida de noticiar os eventos mais marcantes da época e muita coisa era repassada de boca em boca.

Hoje, vemos no mesmo momento o que está acontecendo em qualquer lugar do mundo e quando não vemos temos notícia pelas redes sociais. E, o que o filósofo atual Manuel Castells já havia escrito, hoje presenciamos:" Os sistemas políticos estão mergulhados em uma crise estrutural de legitimidade, periodicamente arrasados por escândalos, com dependência total de cobertura da mídia e liderança personalizada e cada vez mais isoladas dos cidadãos".

A estrutura política do Brasil reflete bem o que está escrito no parágrafo anterior. O governo existe para o seu próprio prazer, para a sua própria continuidade, sem se importar com o seu objetivo último, ou o objetivo para o qual foi criado, que é o de representar o povo. Mas, de repente o gigante acorda, o Brasil desperta. E, o governo começa a se inquietar, tipo a piada do bandido que aponta uma arma para uma pessoa e dirige-se a ela com a famosa expressão: "a bolsa ou a vida", ao que ouve a seguinte resposta: "pode levar qualquer uma. Ambas estão vazias". Assim o povo aponta a sua arma, o seu posicionamento, a sua queixa para o governo que não sabendo o que fazer, remexe-se no seu esquife e procura meios para acalmar o populacho, a multidão, atirando-lhe pedaços de carne de porco, ou moedas, ou acenando com sonhos utópicos que jamais se cumprirão.

É nesse momento que estamos e é nesse estágio que não podemos ficar. Estamos sendo espectadores de um jogo, de uma farsa e não podemos deixar de olhar o futuro.

O que é mesmo que queremos? O que poderá mudar a sociedade atual, não apenas umas duas ou três pessoas? Não nos deixemos influenciar pelo canto da sereia que ao ouvir as palavras de ordem do povo, em busca da Democracia, apenas tenta atraí-lo para desejos mais baixos, mais egoístas, com a única finalidade de fazê-lo adormecer novamente.

Alerta e avante como diriam os escoteiros. Não nos deixemos acorrentar novamente. Chegou a hora do despertar do sono. Queremos o que é nosso de direito. Queremos igualdade de oportunidades para todos os brasileiros. Queremos o fim da corrupção. Queremos médicos sim, mas queremos escolas, queremos poder formar nossos próprios profissionais. A nossa solução não pode ser casuística porque ela precisa ser estrutural. Qual é o cenário que queremos e qual é o cenário que nos está sendo oferecido pela proposta do governo. Qual o futuro que se nos afigura se aceitarmos a oferta que foi colocada sobre a mesa de negociação?

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