sexta-feira, 7 de junho de 2013

BOI VOADOR NÃO PODE

Quem foi, quem foi,
Que falou no boi voador...
Manda prender esse boi,
Seja esse boi o que for.

O boi ainda dá bode
Qual é a boi que revoa
Boi realmente não pode
Voar à toa.

É fora, é fora, é fora
É fora da lei, é fora do ar.
Segura esse boi, é proibido voar.

(Marcha carnavalesca composta por Chico Buarque e Ruy Guerra, nos anos 70, para a peça dos mesmos autores, denominada Calabar).


A estória ou história (não sabemos) do boi voador faz parte do folclore da cidade de Recife.
Maurício de Nassau fez o povo acreditar em duas coisas: primeiro na construção de uma ponte que ligaria Recife à cidade Maurícia e a outra, após desacreditarem do seu sucesso, que faria um boi voar no dia da inauguração da ponte.

Ele fez as duas coisas.
A primeira, uma realidade, mesmo que para isso, tenha terminado a ponte com seus próprios recursos e a segunda, uma tremenda ilusão, para o povo, que acreditou ter visto um boi voar, quando se tratava de apenas um couro empalhado e suspenso ao ar por fios invisíveis.

O Brasil tem passado por situações dessa monta desde o seu descobrimento.
O povo tem sido iludido e enquanto acredita em histórias da carochinha, pontes são construídas ou destruidas, não com os recursos dos governantes, como no caso em tela, mas com o suado dinheiro dos contribuintes.

Vamos abrir os olhos, minha gente!

Vamos prestar atenção no que nos mostra a mídia e nos interesses que muitas vezes nos parecem reais mas são simplesmente "bois voadores".

Atualmente temos sido instados a nos manifestar, a pensar sobre a redução da maioridade penal. Esse assunto está em toda roda de conversa, encontra-se em vários jornais e blogs. Só que, nós só somos apresentados a uma face do iceberg. Em quase qualquer assalto vemos um menor envolvido.
Como já aconteceu quando se colocava a culpa de todos os maus feitos nos negros.
Mas, precisamos olhar um pouquinho mais e observar as condições sociais que são oferecidas a grande contingente de nossas crianças e adolescentes.
Como são produzidos esses criminosos e por quem?
Que condições sociais, culturais e econômicas contribuem para esse quadro?

De fato, o perfil do infrator não surge do dia para a noite, é necessário um tempo para isto. Modela-se portanto nos primeiros anos de sua existência.

Recursos nutricionais saudáveis, fonte de afeto, estimulação lúdica, educação de qualidade, cenário familiar equilibrado são necessários para se formar um ser humano, um cidadão.
Menores em conflito com a lei não nasceram infratores. Foi a sociedade que os condenou a viver sem opção de dignidade, negando-lhes a chance de opções diferentes.

A luta para a redução da maioridade penal atesta o descompromisso dos adultos como provedores das condições de vida necessárias à transformação de uma criança em um adulto digno. Atesta, mais que isso, que escolhemos penalizar, mais uma vez, a vítima.


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