segunda-feira, 17 de junho de 2013

VIVA O POVO BRASILEIRO

Sábado passado, às 10 horas da manhã, saí de casa para comprar um bolo e me deparei com as ruas enfeitadas, coloridas, cheias de bandeirolas amarelas e verdes, uma verdadeira alegria.

E, pensei, cá com meus botões, pronto, está armado o circo e mais uma vez o meu povo, o brasileiro, entra nessa de cabeça e esquece de todo o resto. Até eu, fiquei eufórica e me lembrei de uma música, da qual só os antigos se lembram e vou coloca-la aqui: "Hoje, eu não quero sofrer, hoje eu não quero chorar,/Deixei a tristeza lá fora, mandei a saudade esperar...lalaiala..../Hoje eu não quero sofrer, quem quiser que sofra em meu lugar".

Sim, imaginei, hoje é dia de festa. É o primeiro dia de jogo da Copa das Confederações, uma espécie de Première da Copa do Mundo e deixa o povo ficar feliz.

Esqueçamos dos problemas havidos nesses anos de governo Dilma Roussef. Esqueçamos da bolsa família, que é apenas um arremedo de uma distribuição de renda. Que renda? Dos operários, dos salários sem aumento, dos mensalões ainda em fase de recurso. Dos deputados que foram condenados pelo STF e que agem como se nada tivesse ocorrido. Como se eles estivessem acima do bem e do mal. Das pessoas que precisam se locomover para trabalhar e do transporte público urbano, cada dia mais caro e de péssima qualidade. Dos transportes interestaduais também. Da rede de aeroporto que foi escolhida como a melhor alternativa para unir o Brasil, sendo que esta é a mais cara opção, deixando-se de lado um estudo que poderia apontar o transporte ferroviário como uma de mais baixo custo. Do desprezo com que tem sido tratada a educação pública, em qualquer nível e principalmente a fundamental. Esqueçamos que a saúde do brasileiro está sendo negligenciada pela ausência de investimentos na área, bem como da segurança que está um caos.

Esqueçamos dos bilhões que gastamos com a reforma dos estádios no Brasil, em detrimento das áreas citadas. Esqueçamos tudo isso...e cantemos a música...hoje eu não quero sofrer. E vibremos com o Neymar Jr, com o Estádio novo de Brasília, com a possibilidade de ganharmos o primeiro jogo da Copa das Confederações.

Confesso que fiquei como o palhaço do rosto do qual desce uma lágrima ao mesmo tempo que ele faz piadas.

Triste por ver o meu povo ganhando o circo e sem nem mesmo ter o pão...

Mas aí, fui para a Esplanada dos Ministérios à tarde, pois tinha combinado de encontrar com um grupo para obter assinaturas de apoio à criação do partido Rede Sustentabilidade, esperando que naquele entusiasmo criado pela expectativa do jogo, ninguém lembrasse de seus problemas e que as pessoas até se perguntassem para que esse partido.

No entanto quando comecei a me dirigir as pessoas, aos passantes, qual não foi a minha surpresas. As pessoas estavam lá, estavam se divertindo, mas não estavam anestesiadas. Elas me pareceram acordadas, quase totalmente conscientes da situação do país.

A um rapaz que me dirigi, recebi dele uma resposta muito boa. Ele me disse que não queria só assinar, pois ele estava cansado de assinar coisas e não ser convidado para participar, para ser ouvido. Eu parei...e disse. É de você mesmo que a gente está precisando. E contei para ele da nossa proposta. Falei da Democracia Direta, da participação de todos, do ativismo autoral. E ele não só assinou como procurou saber o endereço da Rede aqui em Brasília.

Com o sentimento de que "nem tudo está perdido...quando resta uma esperança". Voltei para casa e liguei a TV. Aí aconteceu um milagre. Uma luz no fim do túnel...as pessoas se manifestaram...as pessoas disseram que estavam acordadas, que estavam vendo o que estava acontecendo...e aqueles que esperavam apenas aplausos ficaram sabendo que vão ter que mudar. E, eu só tenho a dizer, como já o disse João Ubaldo: E, VIVA O POVO BRASILEIRO.

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