terça-feira, 30 de julho de 2013

O QUE MAIS ME IMPRESSIONOU NO PAPA FRANCISCO

O atual papa, que acaba de protagonizar uma visita ao Brasil, sem incidentes de segurança, me impressionou desde o primeiro momento de sua aparição pública.

Quando lhe foi dada a oportunidade de escolher o seu nome, ele lembrou-se de falar sobre o Cardeal brasileiro, que pouco antes de sua escolha como papa lhe havia falado: "Não se esqueça dos pobres" e por causa disso ele escolheu o nome de um santo que tinha dedicado sua vida aos pobres, São Francisco de Assis.

Apenas com essa atitude ele (o Papa Francisco) já demonstrou sua humildade. Ele não jactou-se de ser humilde, de sempre ter se lembrado dos pobres, de ter dedicado sua vida a eles, nada disso. Ele dividiu sua escolha com um colega cardeal que o havia advertido poucos minutos antes:"Não se esqueça dos pobres."

E com isso ele iniciava sua carreira papal seguindo um dos maiores ensinamentos do próprio Jesus Cristo, que, estando certa vez em uma sinagoga e sendo-lhe oferecida a palavra, recebe o rolo do livro de Isaías para ler, e o abre no que hoje conhecemos como o capítulo 61: "'O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor'. Então ele fechou o livro, devolveu-o ao assistente e assentou-se. Na sinagoga todos tinham os olhos fitos nele; e ele começou a dizer-lhes: 'Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir'" (Lc 4:18-21).

Na minha infância e adolescência tive a oportunidade de ser aluna de um colégio em Bacabal, no Estado do Maranhão, mantido e dirigido por padres e freiras franciscanos e sempre os respeitei pela sua atitude e carinho para com uma população pobre e carente de tudo, inclusive dos valores que eles se esforçaram para nos transmitir. Não perco uma oportunidade de agradecer-lhes pelos ensinamentos que me deram.

Essa é uma das razões pela minha simpatia para com São Francisco e os franciscanos. Fiquei portanto muito feliz ao saber que o papa Francisco viria ao Brasil. Um país cheio de paradoxos, de contradições, de pobreza e riqueza.

Ao mesmo tempo preocupava-me, como naturalmente ocorria com muitas pessoas, pela segurança do papa no Brasil, principalmente na cidade do Rio de Janeiro, que tem sido alvo de tantos incidentes de segurança.

O governador do Rio de Janeiro não aceita a oferta da Presidência da República na questão de segurança, quando lhe foi oferecida a guarda nacional e afirma que a cidade tem condições de cuidar sozinha da segurança do papa e dos fiéis.

Em sequência, o Papa resolve vir do aeroporto, de carro comum e com a janela aberta, passando pelo centro do Rio, antes de dirigir-se ao Palácio das Laranjeiras.

Chorei quando li essa notícia na manchete do Correio Brasiliense. Não entendi a extensão do gesto do papa mas imaginei que ele preferiria estar com os trabalhadores, que enchem o centro do Rio, antes de partir para o encontro com os governantes.

Vimos, há não muito tempo, o vexame que a então ministra do Supremo, Ellen Gracie, passou, ao ter a sua comitiva barrada por assaltantes na linha vermelha.

Além disso, vivemos,há pouco mais de um mês, uma situação de vandalismo, que acompanha quase sempre as manifestações de rua no Brasil.

Ficamos apreensivos. Será que o governo do Rio conseguirá manter a segurança do Papa?

Há um incidente em plena avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, em que o carro em que vem o papa fica preso entre uma fileira de ônibus e outros carros, momento que o povo aproveita para aproximar-se do papa. E ele os recebe, os afaga, fala com os populares, com os irmãos em Cristo.

Na entrevista com o papa, enquanto ele estava no Brasil, exibida no domingo à noite, no fantástico, o repórter lhe pergunta sobre o porquê de ter decidido vir em carro com a janela aberta e se não teve medo quando foi cercado por populares em pleno centro do Rio de Janeiro.

E essa resposta foi realmente o que mais me impressionou no Papa Francisco.

Ele disse que não teve medo, que não tinha medo, pois ninguém morre de véspera. Que Deus, o nosso Senhor, é quem decide a hora em que temos que partir. Disse também que sabia que alguma coisa poderia ter lhe acontecido, que alguém poderia ter querido lhe dar um soco ou coisa assim. Mas aí aproveita para explicar o porquê de sua escolha e diz que, antes de viajar para o Brasil, foi apresentado ao papa móvel que viria para cá e observou que ele era cercado de vidros e questionou: "Se alguém vai visitar um amigo, vai dentro de uma caixa de vidro? Não, ele vai abraçar, ele vai ser tocado e vai tocar. Ou ele vem para visitar um amigo ou não vem...e ele veio para visitar o povo brasileiro.

Gente, eu nunca vi isso em toda a minha vida e não sou mais tão jovem. Eu fiquei impressionada. Eu amei esse papa.

E peço, com todo o coração, que Deus abençoe o Papa Francisco. E que muitas e muitas pessoas, não só no Brasil mas no mundo sigam o seu exemplo. Eu procurarei seguir.

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