terça-feira, 23 de julho de 2013

RELIGIÃO E POLÍTICA

O homem é por natureza um animal político. Já sabemos disso há muito tempo. Desde as "polis" ou cidades no tempo da Grécia antiga.

O homem é também um ser religioso. São Tomás de Aquino já dizia que somos seres espirituais, vivendo uma experiência humana.

Até aí tudo bem,mas juntar a política com a religião, muitas vezes para se beneficiar das duas, não está correto.

Jesus Cristo, certa vez, foi questionado por escribas e homens da lei que queriam testar a sua sabedoria, com a seguinte pergunta:"Mestre, é justo pagarmos o imposto a Cezar?". Ora, no momento em que eles o chamam de mestre e o questionam com o intuito de encontrarem algum motivo para o criticarem, já estão agindo de má fé. Jeruzalém vivia sob o jugo dos Romanos, o povo era oprimido e obrigado a para impostos a Cezar. Algumas pessoas ainda acreditavam que Jesus, se fosse o Messias esperado, iria libertar o povo dos seus opressores. Então, nessa conjuntura, os escribas perguntam: É justo pagar o imposto a Cezar?

Mas Jesus era conhecedor da sua missão. Ele sabia que viera para libertar as pessoas do jugo do pecado e da morte eterna. Então, sem titubear, pede uma moeda e pergunta de quem é a efígie que aparece na moeda. Ao que os seus questionadores respondem prontamente: -É de Cezar. Ao que Jesus responde: _"Então, dai a Cezar o que é de Cezar, e a Deus, o que é de Deus". Estava feita a separação entre a política e a religião. Essa é a visão do Mestre. Essa é a resposta de Jesus.

Se visualizarmos essa questão, após a morte e ressurreição de Cristo, ou seja, no momento em que Jesus não estava mais no meio do povo, para poder responder claramente e por meio de palavras e atos aos seus questionamentos, vemos como se processa essa questão.

HISTÓRICO

Conforme apostila do Prof. Isaías Lobão Júnior para a Faculdade Teológica das Assembléias de Deus, antiga FATAD, depois do Pentecostes, os cristãos passaram a pregar o Evangelho em larga escala. Após grande esforço entre os judeus, por cerca de dois anos, as missões cristãs, coadjuvadas pelos que estiveram presentes no dia de Pentecostes, passaram a evangelizar os gentios com grande ardor missionário. Um exemplo disso está na própria Igreja de Antioquia que enviou a Barnabé e a Paulo.

Até aí, as igrejas eram autônomas e não tinham nenhuma forma de governo eclesiástico. Admitiam serem guiadas e orientadas pelo Espírito Santo, o Consolador prometido por Jesus. Respeitavam as orientações dos apóstolos e não reconheciam líder algum sobre eles que tivesse a incumbência de representar a Cristo quer espiritualmente, quer administrativamente, papel atribuído ao próprio Espírito Santo.

Muitas perseguições vieram sobre os cristãos, começando com Nero (54 a 68 AD), Imperador Romano, até o ano 311, quando apareceu o Édito de tolerância, publicado por Galério, imperador romano do oriente, reconhecendo a insânia da perseguição aos cristãos.

Em 323, Constantino passou a dominar todo o Império Romano, uma vez que o império do Ocidente havia caído. Esse imperador revolucionou a posição do cristianismo em todos os aspectos. Primeiramente, proporcionou igualdade de direitos a todas as religiões, e depois, passou a fazer ofertas valiosas ao cristianismo, construindo igrejas, isentando-as do imposto e até mesmo sustentando clérigos.

Nessa condição, o cristianismo veio a ser praticamente a religião oficial do império. Isso resultou da entrada de muita gente para a igreja, somente porque era a religião apoiada pelo governo.

Os verdadeiros cristãos foram na realidade, marginalizados por não concordarem com tal situação, formando grupos à parte que sempre marcharam paralelos com a igreja favorecida e entremeada de pessoas que buscavam interesses políticos e sociais. Esses cristãos, por não aceitarem tal situação, no decurso da história, eram agora perseguidos pelos outros "cristãos" e muitos dos seus líderes eram queimados na fogueira em praça pública, taxados de heréticos.


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