terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O MAGO



Era uma vez um rei que tinha um filho. Ele ensinou ao seu filho que três coisas não existiam. Estas coisas eram em primeiro lugar, princesas, em segundo, ilhas e em terceiro, magos.

O príncipe, que acreditava em tudo o que o seu pai lhe dizia, não acreditava, portanto, em princesas, em ilhas ou em magos e vivia feliz e realizado no seu continente, no castelo real.

Um certo dia porém, ou porque o dia estivesse muito bonito, ou porque ele acordara bem disposto, ou porque estivesse cansado de ver sempre as mesmas coisas, ele se aventurou além do território delimitado pelo seu pai e se perdeu.

Sentado em uma calçada, pensando em como encontrar o caminho de seu palácio, ele vê, de repente, como se tivesse surgido do nada, uma jovem muito bonita, vestida com um longo vestido cor-de-rosa e portanto um diadema em sua cabeça. A jovem o cumprimentou como se já o conhecesse e que estivesse esperando a sua visita. Ele fascinado com a beleza da jovem deixa-se levar e aceita o convite para visitar a sua casa. E, tomando um bote atravessam o rio indo para um território desconhecido, onde ele avista um belo castelo, todo iluminado.

Chegando lá, ele conhece outras moças tão ou mais bonitas que a primeira e entra no lindo castelo que mais lhe parecia um sonho.

Ao sair daquele lugar está tão perturbado que não se dá conta de para onde está indo e deixa-se ficar caído na praia, pensando em onde estaria e quem seriam aquelas lindas moças.

Nessa situação de prostação e encantamento ele vê aproximar-se um homem todo vestido de noite. Lembrando-se do que lhe dissera seu pai, sobre a não exîstência de magos e de que algumas pessoas apareciam às vezes vestidas da noite para enganar os incautos e fazê-los crer na existência dos magos, vira-se para o outro lado, ignorando a presença do homem que se aproxima. Este porém o aborda e se apresenta dizendo ser um mago, coisa que o rapaz reputa imediatamente dizendo: _ Eu estou sonhando, já que magos não existem!

O mago, pois o homem vestido de preto era um mago, pergunta-lhe sobre o que ele estava pensando de modo a ficar tão aborto em seus pensamento que nem o vira chegar. O rapaz se perturba e conta-lhe que conhecera moças de extrema beleza e que habitavam um palácio e ele não sabe nada sobre elas.

O mago lhe diz que elas são princesas, que o rapaz está em uma ilha e que está falando com um mago.

O rapaz então se revolta e lhe explica que é um príncipe e que o rei seu pai lhe ensinou que não existem princesas, nem ilhas e muito menos magos.

O mago então lhe diz:_ O seu pai é um mago e não um rei. O seu reinado e a sua riqueza são obras da sua magia e estas coisas, sim, não existem.

Quando o príncipe demonstra não acreditar nas palavras do mago, este lhe explica que todos os magos se vestem de preto e que ele procure se lembrar se já vira o seu pai vestido de noite. O príncipe fica feliz porque o rei sempre se veste de vermelho, que é a cor do manto real. E aliviado por ter descoberto que o seu pai sempre lhe dissera a verdade, volta ao reinado deste.

Ao chegar lá, no entanto, fica cismado e adoece, permanecendo na cama.

O rei vai visitá-lo em seus aposentos e pergunta-lhe qual o motivo de sua tristeza.

Ele conta todo o acontecido ao rei que, em um momento de ternura, aproxima o seu braço para abraçar o filho. Nesse momento, o príncipe observa que, por baixo do manto real, o rei está vestido de noite e se apavora. Cobra do rei a verdade que lhe é afinal revelada. O rei não passa de um mago.

O príncipe decepcionado quer morrer e chama pela morte. Mas, ao olhar pela porta vê a silhueta de uma mulher alta, magra, escaveirada, portando na mão um foice e a identifica como a própria morte. Arrepende-se de tê-la chamado, pois é jovem e gosta da vida.

A morte fala para ele: _ Você está decepcionado. O rei, seu pai, mentiu para você a vida toda. O seu reinado é de mentira, é obra de um mago. Se está triste, venha comigo.

O príncipe pensa nas princesas que não existem, pensa naquela ilha paradisíaca, que não existe, pensa nas palavras do mago, que o acordaram e fala para a morte: _Eu não quero morrer. Eu aguento com isto!

Nesse momento a morte se esvai e chega o rei que lhe diz:_Muito bem, meu filho. Agora você também é um mago!

Compilado e adaptado de "A estrutura da magia" de Richard Blander e John Grinder.

Nenhum comentário: