sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

PARA NÃO DIZER QUE EU NÃO FALEI DE FLORES

Copio abaixo reportagem da Folha de São Paulo do dia 16.01.2014 e alerto as autoridades para a questão. Há muitos anos havia uma música de carnaval assim: "ou o Brasil acaba com as saúvas, ou as saúvas acabam com o Brasil." Dessa feita é bom que se atente para as vozes que vêm da rua, mesmo que sejam sob a forma de "rolezinhos" que já evoluiram para os "rolezões".

Com medo dos 'rolezões' de sem-teto, dois shoppings de SP fecham as portas

Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO

16/01/2014 17h27

Marlene Bergamo/Folhapress

Com medo dos 'rolezões' marcados por sem-teto para a tarde de hoje, dois shoppings de São Paulo resolveram fechar as portas. O shopping Campo Limpo e o Jardim Sul, ambos na zona sul da cidade, encerraram suas atividades por volta das 17h, pouco antes da chegada de manifestantes. O horário normal de funcionamento dos dois shoppings é as 22h.

O Campo Limpo havia conseguido na Justiça uma liminar (decisão provisória) contra o evento. Mesmo após a decisão da Justiça, o centro comercial fechou as portas por volta das 16h30 incluindo a entrada principal. A segurança também foi reforçada no shopping. Há muitos vigias guardando as entradas e foram colocados comunicados sobre a decisão da Justiça.

Os sem-teto também pretendiam fazer um "rolezão" no shopping Jardim Sul nesta quinta-feira, mas o local também fechou as portas por volta das 17h. O Tribunal de Justiça, porém, afirmou não ter informações se o local acionou a Justiça para impedir o evento, assim como o shopping Campo Limpo.

O evento de hoje foi organizado pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) e por outros coletivos da periferia e foi inspirado nos 'rolezinhos', encontro marcado por jovens pelas redes sociais.

"É um absurdo a gente ter de pagar pelos baderneiros", disse Sidney Vieria. Com a filha de colo, ele tentou deixar o shopping Campo Limpo pela saída que liga ao metrô, mas foi impedido pela segurança, que pediu que ele utilizasse outra porta.

Membros do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto promove "rolezão" em frente ao shopping Campo Limpo, em protesto contra os estabelecimentos que impediram jovens da periferia de praticar o rolezinho

A liminar concedida hoje ao shopping Campo Limpo aponta que "embora [os shoppings] sejam locais abertos ao público, são empreendimentos privados (...) Não se trata de 'via pública', não se constituindo em local próprio e apropriado ao exercício do direito de liberdade de reunião e manifestação".

O juiz Alexandre David Malfatti, da 7ª Vara Cível, determina ainda que sejam comunicados da decisão com urgência, ao comando da Polícia Militar do Estado e ao Corpo de Bombeiros e determinou pena de multa diária no valor de R$ 5.000 caso a decisão seja descumprida.

Apesar disso, um grupo de cerca de 400 pessoas se concentraram na estação Campo Limpo e depois fizeram uma caminhada até o shopping. Com ele fechado, o grupo ficou na frente do centro comercial, fechando a estrada de Itapecerica.

Já no shopping Jardim Sul, o grupo percorreu o redor do estabelecimento, que tem barreiras de seguranças em todas entradas. Chegou a ter um princípio de tumulto quando um grupo tentou furar o bloqueio, mas as pessoas foram contidas por outros manifestantes.

Em nota, o MTST já havia afirmado mais cedo que manteria as mobilizações previstas para os Shoppings Jardim Sul e Campo Limpo. "Não fomos notificados de qualquer proibição judicial, apesar do que saiu na imprensa", disse a nota.

"É lamentável, caso se confirme a informação, que o judiciário se preste ao papel de proibir o direito de ir e vir e livre manifestação previstos na Constituição Federal. As ações estão mantidas e ocorrerão, com ou sem autorização judicial", acrescenta o movimento.

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