sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

CONTEXTO E RELEVÂNCIA DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Alguns autores consideram a informação como conhecimento comunicado. O conhecimento pode ser tácito (aquele que possuímos dentro da nossa mente, o “saber fazer” que adquirimos durante a vida) e o conhecimento explícito (aquele que está escrito, ou melhor, registrado - são os livros, revistas, periódicos, etc.).

Emir Suaiden e Cecília Leite, no artigo Dimensão do Conhecimento, falam sobre o desenvolvimento científico do século XX e especialmente a revolução tecnológica, que gerou uma nova forma de organização social que denominada sociedade da informação.

Essa tecnologia que se baseia em teoria e pesquisas científicas avançadas determinou o crescimento da economia característica da segunda metade do século passado.

Para Manuel Castells, a aplicação do conhecimento está no centro da revolução conceitual e operacional impulsionada pelos avanços da ciência e da tecnologia que se opera nas sociedades contemporâneas, e que atinge de forma nova e sem precedentes todos os setores da vida humana.

No entanto, esse avanço não atinge a todos igualmente, e construir uma sociedade igualitária em que todos possam criar, utilizar e compartilhar informação e conhecimento é um desafio que se impõe a todas as nações e corporações do mundo.

Informação é um conceito interdisciplinar, usado em quase todas as disciplinas científicas, dentro de seu próprio contexto e relacionado a um fenômeno específico, em especial as ciências da computação, inteligência artificial, biblioteconomia, linguística, psicologia, física e as ciências sociais.

A ciência da informação também é vista como uma disciplina multidisciplinar, criando um conjunto de sub disciplinas, que se funde em disciplinas já existentes como informação física, informação química (computação molecular), informação biomédica, informação neurociência (inteligência artificial) e sócio informação. É uma ciência aplicada com possibilidades de ser utilizada nos mais diversos contextos organizacionais, sociais e individuais. A ciência da informação busca a melhoria da utilização do conhecimento contido em documentos, e prover o acesso físico e intelectual à informação.

O desenvolvimento científico do século XX, especialmente a revolução tecnológica, gerou nova forma de organização social que se denominou sociedade da informação.

A tecnologia, baseada em teoria e pesquisas científicas avançadas passaria a dominar o “boom” econômico que caracterizou a segunda metade do século não apenas nos países desenvolvidos.

No período histórico que construímos, a tecnologia com base na ciência ocupa papel central no processo de desenvolvimento das sociedades.

Nos países desenvolvidos, a sociedade baseada no conhecimento surge como consequência natural do seu desenvolvimento. Nos demais países, ela se impõe de maneira imperativa, independentemente das condições existentes, e acentua as desigualdades.

Segundo a professora Kira Tarapanoff, em seu artigo Informação, Conhecimento e Inteligência em Corporações: Relações e Complementaridade “Construir uma sociedade na qual todos possam criar, acessar, utilizar e compartilhar informação e conhecimento é o desafio que se impõe a todas as nações e corporações no mundo atual, intensamente baseado em tecnologias da informação e do conhecimento, no qual os ativos intangíveis adquirem importância crescente”. Kira Tarapanoff considera que “o processo de gestão do conhecimento, em si, é uma atividade independente, mas, quando ligada ao processo decisório, está fortemente ligado ao processo de gestão da informação e ao trabalho e análise da informação. A inteligência (estratégica) pode ser considerada síntese do processo de trabalho da informação e do conhecimento, gerando conhecimento novo capaz de indicar novos caminhos para a empresa, a inovação em si é inteligência também”.

Dessa forma, o setor público, não foge às tendências, em especial no momento atual, no qual inovação se tornou a meta da vez, tanto em órgãos públicos quanto nas empresas públicas. Observa-se que a procura por cursos e acordos de cooperação com instituições de ensino e pesquisa é uma demonstração de que existem ações relacionadas à aquisição do conhecimento para ser incorporado na inteligência organizacional. O grande desafio se concentra em como utilizar esse conhecimento que está sendo adquirido para a promoção de avanços tanto na inteligência competitiva quanto na melhoria dos serviços prestados à população, seguindo as fases da identificação/aquisição, acesso e uso da informação.

Atrevo-me a dizer que todas as áreas de uma organização deveriam estar trabalhando com uma estratégia de implantação da Gestão do Conhecimento. No entanto, como muitas delas não estarão capacitadas para tal, seria importante que a área de Recursos Humanos e a de Planejamento Institucional tivessem o encargo de auxiliar as demais nesse assunto.

Infelizmente, o histórico de projetos e ações não é considerado importante, e, em muitos casos, se torna até mesmo descartável, quando muda o governo. É como se os projetos e as soluções surgissem do nada. A prática da GC possibilita, além da manutenção de um histórico de ações, registradas e documentadas, que se aprenda com os erros e acertos passados, permitindo ainda que a experiência e maturidades vigentes, em um determinado momento do tempo, sejam apropriadas por gerações de funcionários públicos futuros de maneira a permitir que o conhecimento registrado venha a facilitar a geração de novos conhecimentos promovendo a melhoria dos processos e desta forma a eficácia dos serviços públicos prestados.


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