quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DO CONHECIMENTO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Na Administração Pública é importante se criar mecanismos de controle social por parte da população, que deve ter garantido seu espaço como cidadão na formulação das políticas públicas. Já na Iniciativa privada a relação com o cidadão está pautada nos serviços de atendimento ao cliente, para percepção da satisfação e aumento das vendas e lucros.

A GC possibilita, além da manutenção de um histórico de ações, registradas e documentadas, que se aprenda com os erros e acertos passados, permitindo ainda que a experiência seja apropriada, de maneira a permitir que o conhecimento registrado venha a facilitar a geração de novos conhecimentos promovendo a melhoria dos processos e desta forma a eficácia dos serviços públicos prestados. Serve também como referência para o uso de melhores práticas de mercado. A Gestão do Conhecimento na Administração Pública transcende o objetivo de alcançar uma maior eficiência e eficácia nas ações governamentais, indo muito além, cumprindo um papel importante de consolidação da sociedade democrática.

“No setor privado a GC é vista como um instrumento de inovação que permite aumentar a satisfação do cliente e, consequentemente, aumentar a produtividade e lucratividade.

Assim, a empresa gera riquezas, torna-se mais competitiva e se perpetua no mercado. Na administração pública, a efetiva GC ajuda as organizações a enfrentar novos desafios, implementar práticas inovadoras de gestão e melhorar a qualidade dos processos, produtos e serviços públicos em benefício do cidadão-usuário e da sociedade em geral.” (BATISTA, 2012, p. 40) Para alguns especialistas, como Manuel Castells, a aplicação do conhecimento está na centralidade da revolução conceitual e operacional impulsionada pelos avanços da ciência e da tecnologia que se opera nas sociedades contemporâneas, e que atinge em velocidade sem precedentes todos os setores da vida humana.

Construir uma sociedade na qual todos possam criar, acessar, utilizar e compartilhar informação e conhecimento é o desafio que se impõe a todas as nações e corporações no mundo atual, intensamente baseado em tecnologias da informação e do conhecimento, no qual os ativos intangíveis adquirem importância crescente.

Nas instituições do Serviço Público, a Gestão do Conhecimento desempenha papel chave para a gestão eficaz do principal recurso dessas instituições, o conhecimento. A cultura organizacional caracteriza-se como desafio à implantação da Gestão do Conhecimento no âmbito do Serviço Público Federal Brasileiro, já que se detectou que entre os principais impeditivos à Gestão do Conhecimento no Serviço Público, estão os aspectos culturais como comportamento, relações interpessoais, comunicação e resistência. Diversos fatores, intrínsecos à cultura organizacional e aspectos culturais dos indivíduos que a compõem podem representar barreiras às iniciativas de GC. Torna-se imprescindível, portanto, para as empresas privadas, a implementação da GC para sobreviver na economia da informação. No entanto, esse não é um desafio apenas para o setor privado, mas também para o público. (BATISTA, 2012)

Diferenças entre a GG nas instituições públicas e a GC no setor privado: a) Foco no cliente x Interesse público. A ausência de foco no cliente do serviço público. Na iniciativa privada o foco no cidadão/consumidor é e sempre foi um fator determinando não só de sucesso, mas de sobrevivência, já que o mercado só existe se existir quem consuma os produtos e serviços considerados. Nas organizações públicas, a supremacia é o interesse público. As instituições são obrigadas a dar continuidade à prestação do serviço público.

b) Controle social x Atendimento ao cliente. As organizações públicas estão sujeitas ao controle social (requisito essencial para a administração pública contemporânea em regimes democráticos). Isso implica a garantia de transparência de ações e atos e a institucionalização de canais de participação social. Já as organizações privadas são fortemente orientadas para a preservação e proteção dos interesses corporativos, dos dirigentes e dos acionistas.

c) Igualdade no tratamento das pessoas x tratamento diferenciado de clientes preferenciais. As organizações públicas não podem fazer acepção de pessoas, devendo tratar a todos igualmente e com qualidade. O tratamento diferenciado restringe-se apenas aos casos previstos em lei. Enquanto isso, as organizações privadas utilizam estratégias de segmentação de mercado, estabelecendo diferenciais de tratamento para clientes preferenciais.

d) Valor para a sociedade x busca do lucro financeiro. As organizações públicas buscam gerar valor para a sociedade e formas de garantir o desenvolvimento sustentável, sem perder de vista a obrigação de utilizar os recursos de forma eficiente. As organizações privadas buscam o lucro financeiro e formas de garantir a sustentabilidade do negócio.

A infraestrutura de informação permite a ocorrência do ciclo do conhecimento, que de maneira simplificada considera a criação, a disseminação e o uso do conhecimento. Um bom exemplo são as bases de conhecimento e as universidades corporativas que tem como objetivo a disseminação e promoção da geração de novos conhecimentos.

As praticas de GC alinhadas aos objetivos estratégicos facilitam a adequação, em especial nas organizações complexas, aos objetivos estratégicos, normalmente constates nos planos diretores. O que se percebe é que o trabalho cooperativo em rede se sustenta muito mais no poder público do que na iniciativa privada, pois não visa o lucro e sim a satisfação de requisitos da própria sociedade.

Referência bibliográfica:
BATISTA, Fábio Ferreira. Modelo de Gestão do conhecimento para a administração pública brasileira: como implementar a gestão do conhecimento para produzir resultados em benefício do cidadão.
BATISTA, Fábio Ferreira; QUANDT, Carlos Otávio; PACHECO, Fernando Flávio; TERRA, José Cláudio Cyrineu. Gestão do Conhecimento na Administração Pública.


Nenhum comentário: