quarta-feira, 1 de novembro de 2017

SÓ SE VÊ BEM COM O CORAÇÃO, O ESSENCIAL É INVISÍVEL PARA OS OLHOS

Não é sobre a verdade última dos fatos, dos acontecimentos, das coisas, é da nossa impossibilidade de ver o conjunto, de enxergar além dos acontecimentos, além do que parece óbvio a todos. Lendo certa vez sobre a chegada dos europeus a terras desconhecidas no Novo Mundo, soube que em determinada praia, os aborígenes não conseguiram ver as caravelas que estavam ancoradas a poucas milhas da costa. Eles, os habitantes do novo continente, olhavam para o local onde estavam as embarcações e não conseguiam distingui-las do restante da paisagem, até que o pajé da tribo as avistou. A partir daí e com a autorização do pajé, eles conseguiram vislumbrar as embarcações que não eram tão pequenas assim, mas como nunca tinham visto aquilo, seu olhar acostumado com a paisagem local, não divulgava o inusitado.

Isso aconteceu mesmo? Não sei, mas a estória nos leva a pensar sobre nós mesmos e a nossa incapacidade de vislumbrar o desconhecido, de olhar para o futuro.

Assim, quando nos defrontamos com um problema, não enxergamos as várias possibilidades de interpretação da realidade para daí escolhermos deliberadamente a que mais nos favorece.

Nós, simplesmente, interpretamos, sem perceber, a realidade, a partir das nossas próprias convicções, a partir dos nossos medos e da nossa própria vivência, como se estes fossem obstáculos que estivessem entre nós e a realidade.

O apóstolo Paulo diz em sua primeira epístola aos Coríntios, capítulo 13 e versículo 12, o seguinte:"Agora, portanto, enxergamos apenas um reflexo obscuro, como em um material polido; entretanto, haverá o dia em que veremos face a face. Hoje conheço em parte; então conhecerei perfeitamente, da mesma maneira como plenamente sou conhecido".

Hoje, nós falamos com os outros como se estivéssemos falando para dentro, conosco mesmo. A partir da nossa realidade é que tentamos entender a realidade do outro.

Experimente contar o mesmo fato para pessoas diferentes. Cada pessoa se aterá a um ponto, que é aquele em que ela já esteve ou está. E, a partir daí não o está mais ouvindo e sim tecendo a sua própria história.

Vocês já pensaram então como é que julgam nossos juízes? Se eles não conseguem entender a sua história, como será feito o convencimento dele por um advogado, que também não a conhece, porque não consegue entendê-la? Fica a reflexão.